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No DF "A Escola é o Bicho!"
WSPA e Escola da Natureza vão formar educadores humanitários e fomentar a criação dos Grupos de Bem-Estar Animal nas escolas
A parceria firmada, em 2007, entre a Sociedade Mundial de Proteção Animal (World Society for the Protection of Animals-WSPA) e a Escola da Natureza, instituição vinculada à Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal, começa a render frutos. Na segunda quinzena de março será lançado o primeiro curso de Educação Humanitária para o Bem-Estar Animal – Programa Escola é o Bicho/Respeito a Todas as Formas de Vida. O curso é voltado aos professores, educadores ambientais e tem como objetivo vivenciar a Educação Humanitária no cotidiano da vida escolar e comunitária, assim como os aspectos que envolvem o Bem-Estar Animal e as interações com os seres humanos. A certificação do curso está a cargo da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE). A duração é de 90 horas, com um encontro semanal, sendo 60 horas presenciais e 30 indiretas.
O curso oferecido alia o contexto no qual atua a Escola da Natureza aos princípios e estratégias do Programa de Educação Humanitária para o Bem-Estar Animal (“IN AWE” na sigla em inglês), concebido pela WSPA. A intenção é oferecer aos docentes informação e suporte para identificação da rede de oportunidades e desenvolvimento de boas práticas pedagógicas voltadas à educação humanitária para o bem-estar animal. Como foco, está a possibilidade de agregar ao cotidiano dos estudantes o exercício da educação humanitária, incorporando valores como compaixão, solidariedade, respeito e cidadania ativa para o bem-estar animal.
Para a diretora da Escola da Natureza, Leda Márcia Bevilacqua, esta parceria chega para somar esforços ao trabalho realizado pela Instituição, na medida em que amplia o horizonte de atuação dos docentes. “Somos um centro de referência em educação ambiental – atuando na formação de educadores e articulação institucional para o enraizamento da educação ambiental no DF. Trazer o contexto da educação humanitária para este universo significa ampliar ainda mais o olhar para o mundo que buscamos construir, a partir do respeito a todas as formas de vida”, afirma.
Educação Humanitária
Na justificativa apresentada para aprovação do curso pela EAPE, os organizadores destacam que “o curso de educação humanitária pretende favorecer a construção de estratégias pedagógicas por parte dos docentes do Distrito Federal, para que incorporem a dimensão do bem-estar animal no contexto escolar. Ao mesmo tempo, tais práticas promovem interface importante com o programa do Governo do Distrito Federal de redução da violência nas escolas, uma vez que estas atividades estão ancoradas em valores essenciais ao exercício da cidadania planetária – aquela que reconhece a interdependência de todos os seres e o valor da vida em harmonia”.
São vários os estudos psicológicos que tratam do chamado “link da violência”, registrando uma correlação entre a crueldade contra animais na infância e posterior criminalidade e, em alguns casos, tais atos foram precursores do abuso contra as crianças.
Outra grande questão lembrada pelas instituições parceiras trata da necessária educação para a guarda responsável de animais domésticos. Os motivos estão estampados nos cenários das cidades brasileiras – o alto índice de abandono e maus-tratos a que são submetidos os animais. E Brasília não foge à regra; dados da Associação Protetora de Animais (ProAnima) dão conta de um número em torno de 100 mil animais abandonados.
Elizabeth MacGregor, Gerente de Desenvolvimento da WSPA, lembra que a compreensão do conceito de senciência animal – que são seres capazes de experimentar sensações tanto de bem-estar quanto de dor, medo, sofrimento, ansiedade e estresse – como também a percepção de que as ações promovidas pelos seres humanos geram impactos sobre o ambiente e demais formas de vida, configuram a trilha para solucionar vários dos dilemas morais e abrir espaço para o respeito à diversidade e ao direito à vida de todos os seres, com dignidade.
“A formação de educadores humanitários vai contribuir de forma decisiva para disseminar, no ambiente escolar, o conhecimento, a compreensão, as habilidades, as atitudes e os valores necessários à promoção do respeito a todas as formas de vida”, afirma. Segundo ela, valores como compaixão, respeito, tolerância, solidariedade e empatia em relação a outros seres são fundamentais para a formação de cidadãos gentis, atenciosos, cuidadosos e amorosos, contribuindo assim para quebrar o ciclo da violência, dando lugar a uma sociedade mais justa e harmoniosa. Uma sociedade que respeite a vida na sua totalidade”, afirma.
MacGregor ressalta ainda que os participantes terão contato com nomes de peso durante o curso. Ela cita, entre outros, o exemplo da Educadora Humanitária e Consultora da WSPA Olga Rodriguez, que desenvolve um trabalho, em parceria com a WSPA, há cerca de 18 anos na Costa Rica. A partir de sua gestão, de mais de 20 anos, no Ministério de Educação da Costa Rica, o tema bem-estar animal foi incorporado ao programa “Respeito a Todas as Formas de Vida”, no currículo escolar desse país. Outro nome destacado pela Gerente é o do professor Mateus Paranhos da Costa, Doutor em Zootecnia, pela UNESP-Jaboticabal, e PhD pela Universidade de Cambridge, que contribuiu de forma importante para a orientação de conteúdos na área de animais de produção.
De acordo com os organizadores, as atividades presenciais serão desenvolvidas a partir de três eixos – apresentação dos temas, reflexão e debate dos mesmos e elaboração de produtos, utilizando estratégias de educomunicação e arte-educação. “Desta forma será desenhada a rede de percepção e oportunidades para atuar em educação humanitária, por meio de práticas interdisciplinares no contexto escolar”, revela a diretora Leda Bevilacqua.
Ao final do curso, os participantes têm o compromisso de apresentar o projeto de implantação do Grupo de Bem-Estar Animal (GBEA) na sua unidade de ensino.
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